Política
Ministra da Justiça. "Não é do interesse de ninguém" atrasar investigações sobre Luís Neves
A ministra da Justiça diz que não é o Governo que está a fragilizar a imagem da Polícia Judiciária. Rita Alarcão Júdice espera que até ao fim do ano estejam concluidos os inquéritos abertos a Luís Neves e diz que "não é do interesse de ninguém" atrasar qualquer investigação sobre o ministro da Administração Interna.
Foto: José Sena Goulão - Lusa
Entre estes químicos estavam aqueles que foram apreendidos na "Operação Pacoba", relacionada com o polémico atrelado ligado ao desmantelamento de uma rede de produção de droga, há quase dois anos. Isto contraria o que disse o ministro da Administração Interna, que há um mês avançou que este valor era apenas para destruir o conteúdo dos bidões que estavam no atrelado entregue à Construbarcelos.
À margem da cerimónia que decorreu no Salão Nobre do Ministério da Justiça, em Lisboa, a ministra disse que o valor de 144 mil euros apresentado à Polícia Judiciária para destruição desses materiais abrangia "alguns processos", sem precisar quantos, acrescentando não ter ainda informação "tão detalhada quanto gostaria".
Em resposta a perguntas do Chega, Rita Alarcão Júdice tinha falado numa quantidade anormal deste tipo de produtos, adiantando que a PJ fez um pedido para recolha, transporte, acondicionamento e tratamento.
Esta tarde, interpelada pelos jornalistas, a ministra da Justiça recusou prestar mais explicações sobre os custos de eliminação de matérias químicas apreendidas pela PJ.
"Eu não vou comentar as declarações do meu colega, o Dr. Luís Neves, não faria isso. Agora, o que eu posso dizer, o que me compete, é facultar e prestar as informações que recolhi e foi isso que fiz. Não poderia fazer de outra maneira. A informação que tenho é a informação que está disponibilizada e que é do vosso conhecimento", disse hoje a ministra aos jornalistas, quando questionada sobre uma eventual contradição entre as declarações do ministro e as informações prestadas ao Parlamento.
O Ministério garante que a Polícia Judiciária não dispunha do valor necessário para esta operação, a não ser que comprometesse a atividade normal do serviço.
O orçamento da PJ não tem dotações específicas, para a destruição de produtos apreendidos.
Rita Alarcão Júdice recusou ainda qualquer fragilização da PJ e da imagem pública da instituição por parte do Ministério da Justiça ou do Governo: "A fragilização que possa estar a ser feita da Polícia Judiciária não é, com certeza, pelo Ministério da Justiça, não é pelo Governo", disse a ministra.
Acrescentou que a pergunta sobre o que pode ser feito para evitar essa fragilização "terá que ser feita a quem está a fragilizar a instituição".